“Omnia quaecumque vultis ut faciant vobis homines, et vos facite illis” (“todas as coisas que quiserdes que vos façam os homens, também fazei-as a eles”) é a clássica fórmula evangélica (Mt 7, 12) para o que Tomás de Aquino e seus contemporâneos conheciam como a “regra de amor ao próximo” (“regula dilectionis proximi”). Tal regra de reciprocidade é frequentemente assumida como contendo um significado moral, compartilhado em diversas culturas, seja em sua forma religiosa seja ainda em sua forma filosófica. O presente projeto no qual estou empenhada, juntamente com o seminarista Maurício, consagra-se em preencher uma lacuna no entendimento da interpretação de Tomás de Aquino da regra de ouro.
A “regra de amor ao próximo”, modernamente conhecida como regra de ouro, é uma parte essencial da ética filosófica e teológica do Aquinate. De acordo com seu entendimento teleológico da natureza, Tomás de Aquino sustenta que há uma tendência inerente ao ser humano em amar a si mesmo. Tendência essa que precede e acompanha toda outra obrigação da caridade, exceto a de amar a Deus. Essa tendência ao amor de si parece entrar em conflito com as exigências da justiça e, sobretudo, em termos bíblicos, com as exigências teológicas do amor ao próximo e ao inimigo.
O objetivo principal do projeto é investigar a concepção tomasiana da regra de ouro entre o amor e a justiça como uma resolução para o aparente paradoxo existente entre as exigências da justiça e as do amor.

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