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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A Regra de ouro entre o amor e a justiça

“Omnia quaecumque vultis ut faciant vobis homines, et vos facite illis” (“todas as coisas que quiserdes que vos façam os homens, também fazei-as a eles”) é a clássica fórmula evangélica (Mt 7, 12) para o que Tomás de Aquino e seus contemporâneos conheciam como a “regra de amor ao próximo” (“regula dilectionis proximi”).  Tal regra de reciprocidade é frequentemente assumida como contendo um significado moral, compartilhado em diversas culturas, seja em sua forma religiosa seja ainda em sua forma filosófica. O presente projeto no qual estou empenhada, juntamente com o seminarista Maurício, consagra-se em preencher uma lacuna no entendimento da interpretação de Tomás de Aquino da regra de ouro.
A “regra de amor ao próximo”, modernamente conhecida como regra de ouro, é uma parte essencial da ética filosófica e teológica do Aquinate. De acordo com seu entendimento teleológico da natureza, Tomás de Aquino sustenta que há uma tendência inerente ao ser humano em amar a si mesmo. Tendência essa que precede e acompanha toda outra obrigação da caridade, exceto a de amar a Deus.


Essa tendência ao amor de si parece entrar em conflito com as exigências da justiça e, sobretudo, em termos bíblicos, com as exigências teológicas do amor ao próximo e ao inimigo.

O objetivo principal do projeto é investigar a concepção tomasiana da regra de ouro entre o amor e a justiça como uma resolução para o aparente paradoxo existente entre as exigências da justiça e as do amor.

Oração de Santo Tomás de Aquino

Oração de Santo Tomás de Aquino para antes dos estudos

Quem é Deus? – perguntava o pequeno Tomás (ainda com cinco anos), puxando a longa manga de um venerável monge de Monte Cassino. A resposta convencional não satisfazia o desejo de saber daquele “frade” em miniatura. Seu pensativo silêncio não era de assentimento… E corria para junto de outro religioso: “Frei Mauro, quem é Deus?”
Este diminuto “monge” era o futuro Santo Tomás de Aquino, Doutor da Igreja que ilumina os firmamentos da Teologia até hoje, com sua inteligência transbordante de Fé.
Onde foi ele buscar tanto saber? De onde lhe vinha sua memória privilegiada? De quem herdara inteligência tão genial?
Confessava humildemente Santo Tomás ter aprendido mais em suas longas preces diante do Ssmo. Sacramento do que nos livros de teologia. A oração por ele composta é um reflexo de sua grande despretensão.

Oração:
Criador inefável, que, em meio aos tesouros de vossa Sabedoria, elegestes três hierarquias de Anjos e as dispusestes em uma ordem admirável acima dos Céus, que dispusestes com tanta beleza as partes do universo, Vós, a quem chamamos a verdadeira Fonte de Luz e de Sabedoria, e o Princípio supereminente, dignai-Vos derramar sobre as trevas de minha inteligência um raio de vossa clareza. Afastai para longe de mim a dupla obscuridade na qual nasci: o pecado e a ignorância.
Vós, que tornais eloqüente a língua das criancinhas, modelai minha palavra e derramai nos meus lábios a graça de vossa bênção.
Dai-me a penetração da inteligência, a faculdade de lembrar-me, o método e a facilidade do estudo, a profundidade na interpretação e uma graça abundante de expressão.

Fortificai meu estudo, dirigi o seu curso, aperfeiçoai o seu fim, Vós que sois verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e que viveis nos séculos dos séculos. Amém.