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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Católicos, voltem para vossa casa!

Ninguém andou por caminhos tão distantes que não possa voltar...
Talvez, essa seja a sua hora. Deus lhe chama! Cristo deu a vida por você, e você o que está dando a ele? Volte, Católico, volte! Essa é a sua casa. E sua família espera!



A Santidade do Sacerdócio, à luz de São Tomás de Aquino

Mons. João Clá Dias.

Considerando com profundidade a essência da ordenação sacerdotal e do próprio ministério sagrado, São Tomás nos ensina que o presbítero deve tender à perfeição mais ainda que um religioso ou uma freira. E de fato, para se entender tal ensinamento, basta ter bem presente o alto grau de santidade que a Celebração Eucarística e a santificação das almas exigem de um ministro,1 como nos adverte o Divino Mestre: "Vós sois o sal da terra; mas, se o sal se torna insosso, com que se salgará? Não servirá para nada senão para jogá-lo fora a fim de que os homens o pisem. Vós sois a luz do mundo" (Mt 5, 13-14a). Diante dessa enorme responsabilidade, compreende- se o motivo pelo qual não poucos santos tiveram receio da ordenação sacerdotal.
Esta questão é de candente atualidade, pois o sucesso maior ou menor de seu ministério em favor dos fiéis pode depender, de modo particular, do próprio sacerdote. Sabemos que os Sacramentos operam com eficácia pelo poder de Cristo, produzindo a graça por si mesmos. No entanto, sua penetração será maior ou menor conforme as disposições interiores de quem os recebe. E aqui entra um elemento subjetivo no qual tem importante papel a ação pastoral do ministro ordenado, pois sua virtude, seu fervor, seu empenho em pregar o Evangelho, em última análise, a santidade de sua vida - a qual é, por sua vez, uma forma excelente e insubstituível de pregação -, podem influenciar os fiéis a receberem os Sacramentos com melhores disposições, beneficiando-se, assim, mais de seus frutos.

Será este o fator de maior relevância no bom desempenho do ministério sacerdotal?

A propósito, na Carta para a Proclamação do Ano Sacerdotal, de 16 de junho p.p., o Santo Padre Bento XVI ressalta que o sacerdote deve aprender de São João Maria Vianney "a sua total identificação com o próprio ministério".
Por essa razão, deseja o Papa, neste Ano Sacerdotal, "favorecer esta tensão dos sacerdotes para a perfeição espiritual da qual, sobretudo, depende a eficácia de seu ministério".2
É este ponto - de máxima importância para a vida da Igreja, mormente para a missão de anunciar o Evangelho e de santificar os fiéis - que pretendemos abordar nestas páginas: a relação entre eficácia do ministério sacerdotal e santidade pessoal de quem o exerce.
Recorreremos primordialmente ao ensinamento perene de São Tomás de Aquino.

A santidade do sacerdote, uma exigência
Desde a Antiga Lei, a pessoa do sacerdote é cercada de uma dignidade que requer vida exemplar. Assim, no Livro do Levítico, encontramos duplo apelo à santidade. De um lado, a mando de Deus, Moisés exorta o povo de Israel a buscar a perfeição: "Fala a toda a comunidade dos israelitas e dize-lhes: Sede santos, porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo" (Lv 19, 1). Mas aos sacerdotes a santidade é exigida com mais razão, porque são eles a oferecer os sacrifícios, fazendo o papel de intermediários entre Deus e o povo. Apresentar-se manchado pelo pecado diante do Altíssimo, para exercer o múnus sacerdotal, seria uma afronta ao Criador. "Os sacerdotes [...] serão santos para o seu Deus e não profanarão o seu nome, porque oferecem ao Senhor os sacrifícios consumidos pelo fogo, o pão de seu Deus. Serão santos" (Lv 21, 5-6).
E dado que o Antigo Testamento é figura do Novo, compreende- se a necessidade de, na Nova Aliança, a santidade atingir um grau muito maior. Isto transparece na teologia tomista, a qual nos apresenta o ministro ordenado como tendo sido elevado a uma dignidade régia, no meio dos outros fiéis de Cristo, pois O representa e, em diversas ocasiões, age in persona Christi. Impossível, portanto, imaginar-se título superior. E como ele é chamado a ser mediador entre Deus e os homens, além de guia destes para as coisas divinas, deve necessariamente ser-lhes superior em santidade, embora todos os batizados sejam também chamados à perfeição.

Santo Afonso de Ligório, em sua obra A Selva, fundamentando-se na autoridade de São Tomás, esboça a figura do sacerdote como aquele que, por seu ministério, supera em dignidade os próprios Anjos, e por isso está obrigado a uma maior santidade, dado o seu poder sobre o Corpo de Cristo. De onde, conclui o fundador dos Redentoristas, a necessidade de uma dedicação integral do sacerdote à glória de Deus, de tal sorte que brilhe aos olhos do Senhor em razão da sua boa consciência e aos olhos do povo por sua boa reputação.3

Sobre isso ainda, recorda a doutrina tomista a necessidade de os ministros do Senhor terem uma vida santa: "In omnibus ordinibus requiritur sanctitas vitæ".4 Devem, portanto, sobretudo eles, serem o mais possível semelhantes ao próprio Deus: "Sede perfeitos assim como o vosso Pai Celeste é perfeito" (Mt 5, 48).

São conhecidas as invectivas de Nosso Senhor contra os escribas e fariseus. O que Jesus recriminava a estes homens, tão conhecedores da Lei, era justamente o fato de não viverem aquilo que ensinavam. Pretendendo aparecer aos olhos dos outros como exímios cumpridores dos preceitos mosaicos, não tinham reta intenção, nem verdadeiro amor a Deus. Seus ritos externos não eram acompanhados pela compunção de coração. Para que os sacerdotes da Nova Aliança não caiam no mesmo desvio, convém lembrar o comentário às Sentenças de Pedro Lombardo, onde São Tomás afirma: "Aqueles que se entregam aos ministérios divinos obtêm uma dignidade régia e devem ser perfeitos na virtude, conforme se lê no Pontifical".5

Daí que na homilia sugerida no rito de ordenação presbiteral esteja incluída esta tocante exortação: "Tomai consciência do que fazeis, e ponde em prática o que celebrais, de modo que, ao celebrar o mistério da Morte e Ressurreição do Senhor, vos esforceis por mortificar o vosso corpo, fugindo aos vícios, para viver uma vida nova".6

A caridade de Cristo O levou a oferecer a vida em holocausto no patíbulo da Cruz, pela redenção da humanidade. Também aqueles que são chamados a ser mediadores entre Deus e os homens, devem exercer o seu ministério por amor, como ensina o Aquinate.

O sacerdote, portanto, é chamado a um grau de santidade especial: "Pela Ordem sacra, o clérigo é consagrado aos ministérios mais dignos que existem, nos quais ele serve o Cristo no Sacramento do altar, o que exige uma santidade interior muito maior do que a exigida no estado religioso".7

O sacerdote é modelo para os fiéis
Sendo visto pelos fiéis como alguém escolhido por Deus para guiálos, o ministro ordenado deve ser sempre exemplo preclaro de virtude, como recomenda o Apóstolo a seu discípulo Tito: "Mostra-te em tudo modelo de bom comportamento: pela integridade na doutrina, gravidade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário seja confundido, não tendo a dizer de nós mal algum" (Tt 2, 7-8).

Com efeito, uma conduta irrepreensível, inflamada de caridade, dando testemunho da beleza da Igreja e da veracidade da mensagem evangélica, falará muito mais profunda e eficazmente às almas do que o mais lógico e eloquente dos discursos: "O ornato do mestre é a vida virtuosa do discípulo, como a saúde do enfermo redunda em louvor do médico. [...] Se apresentarmos nossas boas obras, será louvada a doutrina de Cristo". 8

Cristo é o verdadeiro modelo do ministro consagrado. É com Ele que o sacerdote deve configurar-se, não só pelo caráter sacramental, mas também pela imitação de suas perfeições, de forma que nele os fiéis possam ver outro Cristo. Só assim estes se sentirão atraídos pelo bom exemplo de seu pastor e guia.

Dada a natureza social do homem, a boa reputação decorrente da prática da virtude leva os outros à imitação. Assim, quanto mais semelhança com Cristo encontrarem os fiéis nos ministros de Deus, tanto mais facilmente se deixarão guiar por eles. E, portanto, mais eficaz será o seu ministério.

A sacralidade do sacerdote
Um elemento conexo ao bom exemplo é a proporcionada respeitabilidade da qual deve cercar-se o ministro de Deus - não só pelo comportamento inatacável, mas também pela postura, pelo modo de ser e pelo traje - para que sua atuação exerça mais influência na alma dos fiéis.

Com efeito, mesmo em nossos dias, a experiência cotidiana nos revela como é impressionante a admiração devotada ao religioso ou sacerdote que se apresenta como tal. Essa respeitabilidade, que a uns pode parecer artificialidade, acaba sendo um valioso auxílio para o próprio ministro, pois contribui para ele
ter sempre presente em seu espírito a alta dignidade de que foi investido, a qual imprimiu caráter em sua alma, por toda a eternidade. Além de ser, ao mesmo tempo, uma salutar proteção contra incontáveis seduções do mundo.

A Santa Missa, fonte da santidade sacerdotal
Neste Ano Sacerdotal, iniciado por ocasião dos 150 anos da morte do Santo Cura d'Ars, modelo de sacerdote, vem a propósito lembrar sua entranhada e ardorosa devoção pela Santa Missa:
"Se conhecêssemos o valor da Missa, morreríamos. Para celebrá-la dignamente, o sacerdote deveria ser santo. Quando estivermos no Céu, então veremos o que é a Missa, e como tantas vezes a celebramos sem a devida reverência, adoração, recolhimento".9

No Decreto Presbyterorum ordinis, o Concílio Vaticano II, em perfeita harmonia com a doutrina tomista, resume de forma admirável a centralidade da Eucaristia na vida espiritual do sacerdote, como seu principal meio de santificação.

Recorda, em seguida, que é através do ministério ordenado que o sacrifício espiritual dos fiéis se consuma em união com o sacrifício de Cristo, oferecido na Eucaristia de modo incruento e sacramental.

E afirma que "para isto tende e nisto se consuma o ministério dos presbíteros. Com efeito, o seu ministério, que começa pela pregação evangélica, tira do sacrifício de Cristo a sua força e a sua virtude".10 O que equivale a dizer que o sacerdote vive para a Celebração Eucarística e é dela que deve haurir a força para progredir na prática da virtude.

Garrigou-Lagrange sintetiza com precisão esta doutrina: "O sacerdote deve considerar-se ordenado principalmente para oferecer o Sacrifício da Missa. Em sua vida, este Sacrifício é mais importante que o estudo e as obras exteriores de apostolado. Com efeito, o seu estudo deve ordenar-se ao conhecimento cada vez mais profundo do mistério de Cristo, supremo Sacerdote, e o seu apostolado deve derivar da união com Cristo, Sacerdote principal".11

Royo Marín, ao comentar a exortação do Pontifical Romano, feita pelo Bispo aos ordenandos, afirma com ênfase que a Santa Missa é "a função mais alta e augusta do sacerdote de Cristo".12 E, conhecedor das múltiplas ocupações pastorais de um sacerdote, que podem facilmente desviá-lo do cerne da sua vocação de mediador entre Deus e os homens, reforça a mesma ideia, logo em seguida, com inflamadas palavras de zelo sacerdotal: "É-se sacerdote, antes de tudo e sobretudo, para glorificar a Deus mediante o oferecimento do Santo Sacrifício da Missa".13

Bento XVI, ao tratar da vocação e espiritualidade sacerdotais, sob uma perspectiva pastoral, afirma: "A Celebração Eucarística é o maior e mais nobre ato de oração, e constitui o centro e a fonte da qual também as outras formas recebem a ‘linfa': a Liturgia das Horas, a adoração eucarística, a lectio divina, o santo Rosário, a meditação".14

A eficácia do ministério sacerdotal
Como vimos anteriormente, a santidade de vida do sacerdote, enquanto exemplo para os fiéis de Cristo, é possante elemento para conduzi-los à perfeição. Bem ressalta Dom Chautard que a um sacerdote santo corresponde um povo fervoroso; a um sacerdote fervoroso, um povo piedoso; a um sacerdote piedoso, um povo honesto; a um sacerdote honesto, um povo ímpio. 15 Grande é, pois, o papel da virtude do ministro, para o êxito de seu ministério.

No que respeita à aplicação do valor da Santa Missa, com finalidade propiciatória, é que se pode falar de sua eficácia subjetiva, dependente das disposições de quem a celebra e daqueles aos quais ela é aplicada, como explica São Tomás: "Ainda que a oferenda da Eucaristia, quanto à sua quantidade, seja suficiente para satisfazer por toda a pena, contudo ela tem valor de satisfação para quem ela é oferecida ou para quem a oferece, conforme a medida de sua devoção, e não pela pena inteira".16

A respeito deste trecho do Doutor Angélico, Albert Raulin faz o seguinte comentário: "Seria perniciosa ilusão acreditar que o ofertante está dispensado do fervor, sob pretexto de que Cristo, oferecendo-Se na Missa, satisfez plenamente por todos os pecados do mundo".17

Ante esta realidade, o sacerdote tem dois grandes deveres. Um para consigo mesmo e outro para com o povo, pois ambos se beneficiam dos frutos da Santa Missa, especialmente o celebrante, conforme o grau de fervor ou devoção.18
Dessa maneira, corresponderá ele à altíssima dignidade de seu ministério, segundo dizia o Santo Cura d'Ars:
"Sem o Sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem há de prepará-la para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no Sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. [...] Depois de Deus, o sacerdote é tudo! [...] Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no Céu".19


A voz da Cátedra de Pedro
Chegados ao termo deste trabalho, em vez de recapitular a matéria tratada, como seria de praxe no melhor estilo acadêmico, parece-nos mais filial para com a Cátedra de Pedro recordar aqui, a título de conclusão, alguns pontos importantes de documentos recentes do Magistério Pontifício sobre o sacerdócio.

Não deixa de ser comovedor que em sua última Carta aos Sacerdotes, no ano 2005, o Papa João Paulo II tenha desejado centrar esse documento sobre as palavras da Consagração, como querendo ressaltar que o ápice de sua vida sacerdotal se aproximava, com o oferecimento de seu próprio sacrifício, pela doação total da vida unida ao sacrifício de Cristo. Oferecimento recomendado pelo atual Pontífice na Carta para a Proclamação do Ano Sacerdotal, citando estas palavras do Santo Cura d'Ars: "Como faz bem um padre oferecer-se em sacrifício a Deus, todas as manhãs!".

Com efeito, iniciava João Paulo II essa sua última Carta lembrando que "se toda a Igreja vive da Eucaristia, a existência sacerdotal deve a título especial tomar ‘forma eucarística'".20

É indispensável que o sacerdote, para salvar aqueles que lhe estão confiados, ofereça o seu próprio sacrifício, unido ao de Cristo, a exemplo de São Paulo: "Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja" (Cl 1, 24). É dessa maneira que as palavras da Consagração se transformam em "fórmula de vida", como deu exemplo o Servo de Deus João Paulo II. Ensinamento este lembrado também por seu sucessor, Bento XVI: "As almas custam o Sangue de Cristo, e o sacerdote não pode dedicarse à sua salvação se se recusa a contribuir com a sua parte para o ‘alto preço' da Redenção".21

Não podemos deixar, finalmente, de evocar o papel insubstituível da Mãe de Deus na vida sacerdotal. "Quem pode, melhor do que Maria, fazer-nos saborear a grandeza do mistério eucarístico? Ninguém pode, como Ela, ensinar-nos com quanto fervor devemos celebrar os santos Mistérios e determo-nos em companhia do seu Filho escondido sob as espécies eucarísticas".22

Ensina-nos ainda este Papa tão mariano, que foi João Paulo II, na sua Encíclica Ecclesia de Eucaristia:

"No ‘memorial' do Calvário, está presente tudo o que Cristo realizou na sua Paixão e Morte. Por isso, não pode faltar o que Cristo fez para com sua Mãe em nosso favor. De fato, entrega-Lhe o discípulo predileto e, nele, cada um de nós: ‘Eis aí o Teu filho'. E de igual modo diz a cada um de nós também: ‘Eis aí a tua mãe'" (cf. Jo 19, 26-27).

Neste Ano Sacerdotal, procuremos especialmente estar unidos ao sacrifício de Cristo com o espírito de Maria, Ele que fez de toda a sua existência uma Eucaristia antecipada, preparando-Se dia a dia para a entrega suprema no Calvário.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

“Palavras que mudaram o mundo”

Autor: Gustavo Adolfo Kralj

Fragmentos dos célebres manuscritos do Mar Morto, junto com outros objetos de incalculável valor arqueológico, compõem a exposição "Palavras que mudaram o mundo", atualmente exibida no Royal Ontario Museum, em Toronto. Para conhecermos melhor esses valiosíssimos documentos, entrevistamos com exclusividade a Dra. Pnina Shor, chefe de Seção de Conservação de Artefatos do Departamento de Antiguidades de Israel.

Uma das descobertas arqueológicas mais significativas do século XX ocorreu há 60 anos, quando um beduíno, Muhammed edh-Dhib Hassan, à procura de uma cabra perdida, encontrou, escondidos numa caverna no deserto, rolos de pergaminhos escritos dois mil anos atrás. Estavam guardados em jarros e surpreendentemente bem conservados.

A partir daí, entre 1947 e 1956, foram descobertos quase 900 textos, a maior parte deles em pergaminhos, uma pequena parcela em papiros e um gravado em cobre. O valioso material estava oculto em onze cavernas nas redondezas de Wadi Qumran, perto das ruínas do antigo assentamento de Khirbert Qumran, a noroeste do Mar Morto, nome que mais tarde se associou aos documentos.

Atestada a sua autenticidade em 1948, foi possível determinar que sua origem remonta a um período que se estende do século III a.C. ao primeiro século da era cristã. Uns estão escritos em hebraico, outros em aramaico e outros ainda em grego.

Seguiram-se décadas de pesquisa, e passou-se a utilizar uma tecnologia desenvolvida por cientistas da NASA para recuperar o texto dos manuscritos, que com o tempo estavam se desintegrando. Uma vez analisado, cada fragmento passou a fazer parte de um enorme quebra-cabeças não inteiramente resolvido até hoje.

O encargo de conservar esse valiosíssimo acervo cabe à Dra. Pnina Shor, chefe da Seção de Conservação de Artefatos do Departamento de Antiguidades de Israel. Ela é a responsável pelos Manuscritos do Mar Morto e por outros objetos em exposição - até 3 de janeiro de 2010 - no Royal Ontario Museum em Toronto, Canadá.

Palavras nas quais milhões de pessoas creem
De início, chama atenção a escolha do lema do evento: Words that changed the World - Palavras que mudaram o mundo. Qual é a relação do lema com os documentos do Mar Morto?

Pnina Shor esclarece: "A meu ver, o lema abrange muito bem o tema da exibição no sentido de que aqui estão palavras da Bíblia, e como tal, são palavras pronunciadas para o mundo inteiro. São palavras comuns a todos nós, palavras nas quais milhões de pessoas no mundo creem, sejam judeus, cristãos, ou muçulmanos; portanto, são verdadeiramente palavras que mudaram o mundo".

Após lembrar a recente viagem de Bento XVI a Terra Santa, a especialista israelense acrescenta: "Trata-se de documentos escritos há mais de dois mil anos, quando Jesus e o cristianismo nasceram. Eles incluem textos bíblicos, apócrifos e comentários sobre a Bíblia. Falam da origem comum dos judeus e dos cristãos. É verdade que não existem entre eles cópias do Novo Testamento, simplesmente porque o Novo Testamento foi compilado depois que os manuscritos foram escondidos nas cavernas.1 Mas podem-se ver neles as origens do cristianismo, junto com textos bíblicos e outros textos judaicos. Constata-se assim, a origem comum das duas religiões. Isto está na linha do que o Papa falou em sua visita à Terra Santa".

Debate sobre as origens - a "tese essênia"

Determinar em que época foram redigidos os Manuscritos do Mar Morto não é tão difícil quanto estabelecer com segurança quais foram seus autores.

A chamada "tese essênia", embora seja em nossos dias alvo de muitos debates, é a mais amplamente aceita no mundo acadêmico. Assim a descreve Aimé Fuchs (1925-2006), catedrático no Instituto de Pesquisa de Matemáticas Avançadas de Strasbourg: "Os historiadores do primeiro século da nossa era, Fílon de Alexandria, Caio Plinio Segundo e, sobretudo, Flávio Josefo, relataram que, ao noroeste das margens do Mar Morto, vivia naquela época uma comunidade de cenobitas chamados essênios, que eram celibatários, vegetarianos e praticavam um modo de vida bem austero segundo as prescrições da Torá. Ora, os manuscritos foram encontrados justamente nessas paragens perto do Mar Morto. Essa coincidência fez com que surgisse a tese [...] segundo a qual o conjunto dos manuscritos do Mar Morto provém de uma comunidade essênia que então se encontrava na região de Qumram. E que essa comunidade, por causa do avanço das tropas romanas, teria escondido esses manuscritos nas cavernas da redondeza um pouco antes da queda de Jerusalém, em 70 d. C.".2

De sua parte, Pnina Shor adverte que estabelecer a origem dos documentos é uma questão muito complicada e controvertida, mas aponta alguns dos argumentos que reforçam a "tese essênia":

"Os documentos foram originalmente identificados como provindos dos essênios pelo Prof. Sukenik,3 depois que ele leu a primeira cópia das Regras da comunidade. Ele notou a clara semelhança com os essênios mencionados por Flávio Josefo em sua obra A guerra dos judeus.

"Nesse livro, Josefo descreve os três ramos principais do judaísmo, no fim do primeiro século. Menciona os fariseus, os saduceus e os essênios. A descrição que Josefo faz dos essênios e de como eles viviam é muitíssimo parecida com o que esse grupo narra sobre si mesmo.
"Mas, nos manuscritos não há nenhuma referência específica aos essênios. O grupo que escreveu os manuscritos chama a si mesmo de yahad, que em hebraico significa ‘o conjunto', ‘a comunidade'. Quando falam de si mesmos, eles sempre descrevem seu modo de viver e suas crenças. Eles constituem um grupo muito piedoso que decidiu sair da vida de Jerusalém, porque, para eles, Jerusalém se tinha corrompido. Eles, ou pelo menos alguns deles, decidiram se retirar".

De outro lado, não é certo que os membros desse grupo tenham sido os autores de todos os documentos:

"Os textos bíblicos e os apócrifos podem ter sido compilados ou escritos por outros. Esse grupo ou qualquer outro pode ter recolhido todos estes manuscritos e escondido nas cavernas. Há outras teorias que falam do Templo e de que os manuscritos seriam parte da biblioteca do Templo. Outros afirmam que se trata de escritos oriundos de diversos grupos de fiéis", conclui Shor.

Admirável exatidão nas traduções do grego, latim e hebraico
A exegese bíblica é uma das disciplinas mais beneficiadas pelos Manuscritos do Mar Morto. Tomandoos como ponto de referência, até que ponto são precisas as ulteriores traduções para o grego e o latim dos primeiros tempos da Igreja? Há contradições ou discrepâncias entre elas e os manuscritos do Mar Morto?

Pnina Shor responde: "Não há contradições, já que estamos falando sobre a transmissão de um texto. A transmissão de um texto é feita por pessoas, e, portanto, é normal que com o tempo haja diferenças devido à variação do pensamento e das capacidades humanas, podendo até aparecer algum erro. Mas penso que devemos analisar a questão por outro lado. O que é impressionante neste caso é que o conteúdo foi preservado na tradução grega. Mais tarde foi traduzido para o latim, sendo em seguida traduzido novamente para o hebraico. Quando os Manuscritos foram encontrados, verificou-se que a exatidão das traduções é realmente de admirar - e isso é emocionante".

Alguns escritos eram até agora desconhecidos
Perguntada sobre se os manuscritos contêm unicamente livros canônicos, como hoje os conhecemos, Pnina Shor esclarece: "Não, os Manuscritos abrangem muito mais do que os livros canônicos. Há uma grande variedade de escritos, previamente desconhecidos. Isso desperta o interesse dos pesquisadores e estudiosos da matéria".


Como exemplo desses textos nãocanônicos, Pnina Shor menciona "o chamado Barkhi Napshi, um salmo apócrifo que está em sintonia com as escrituras canônicas, mas que não era conhecido anteriormente".

"Estamos falando da existência de mais de 900 manuscritos. Podemos então conjeturar que eles contêm muitos textos que eram desconhecidos anteriormente. Isso atrai investigadores do mundo inteiro, de todas as denominações religiosas".

Três valiosos elementos arquitetônicos do Templo

A exposição em Toronto não se restringe somente aos Manuscritos do Mar Morto, mas também a outros artefatos arqueológicos cuja importância é bem ressaltada pela especialista israelense.


"Ao passear pela exposição, temos a impressão fascinante de estarmos indo da Galileia a Jerusalém pelo deserto. Todos os objetos são fascinantes - eu não gostaria de pô-los em uma ordem de precedência -, mas penso que vale a pena prestar atenção em três elementos arquitetônicos.

"O primeiro é a pedra angular do Monte do Templo de Jerusalém. É a pedra onde o sacerdote subia para tocar a trombeta convocando a todos para comemorar o sábado e as demais festas. Como podemos saber que é autêntica? Pela inscrição que está nela, no mesmo tipo de letra dos manuscritos - portanto, do mesmo período - que afirma ser essa ‘a pedra angular onde soa a trombeta'".

O segundo elemento pertence ao Templo Herodiano, que era dividido em vários pátios. "Ao pátio principal, qualquer pessoa podia ter acesso; depois de certo ponto, somente podiam ingressar os judeus; mais adiante, somente homens; e no Santo dos Santos, apenas o sumo sacerdote podia entrar e apenas uma vez por ano, no dia de Reconciliação, o Yom Kippur. Marcando a divisão onde somente os judeus podiam entrar, havia uma pedra com uma inscrição. Essa pedra também faz parte da exibição.

"O terceiro elemento de interesse são três restos arquitetônicos do tríplice portão da entrada principal do Monte do Templo. Todos estes objetos foram descobertos durante diversas escavações ao redor do Monte do Templo. "

Nenhum de nós conheceu o Templo. Conhecemo-lo através das Escrituras, e posteriormente através de nossas investigações. Todavia, aqui temos objetos tangíveis que o tornam novamente vivo entre nós" - conclui Pnina Shor.

Longo processo rumo à publicação

Seja qual for a origem dos Manuscritos do Mar Morto, não cabe dúvida quanto ao seu imenso valor e à urgente necessidade de sua preservação e restauração. Este é o campo próprio do trabalho de Pnina Shor. Assim explica ela o desafio enfrentado por seu Departamento de Antiguidades de Israel:

"A conservação e a restauração dos manuscritos é um processo minucioso, entediante e interminável. Conhecemos especialistas que dedicam sua carreira acadêmica somente a este labor.

"A primeira e principal razão disso é que estamos falando de manuscritos que têm mais de dois mil anos. Eles ficaram escondidos e preservados em cavernas no deserto. Por causa do clima, da temperatura e da falta de luz, eles se conservaram e atravessaram os séculos. Quando foram retirados das cavernas, a deterioração natural começou ou continuou, e eles se fragmentaram em uma enorme quantidade de frações. São 900 documentos divididos em milhares e milhares de fragmentos.

"Ora, quando os manuscritos foram trazidos das escavações, ficaram espalhados em longas folhas de papel e, como um quebra-cabeça, foi-se tentando juntar os pedaços. Naquele tempo, os especialistas estavam interessados em conhecer o conteúdo dos manuscritos; não havia preocupação com a necessidade de conservá-los e preservá-los" - explica a Dra. Shor.

Assim, foi usada fita adesiva para unir os fragmentos, o que acelerou a sua deterioração. Os manuscritos são muito frágeis: 80% deles são de pergaminho orgânico, enquanto os outros 20% são escritos em papiros. Se não forem guardados e manuseados com o devido cuidado, eles ressecam e se racham.

Nas décadas de 60 e 70 os estudiosos continuaram a decifrar o conteúdo dos manuscritos, mas surgiu a preocupação de conservá-los, recorrendo-se, para isto, aos melhores métodos conhecidos na época.

"No fim da década de 80, o Departamento de Antiguidades de Israel foi constituído tendo como objetivo a preservação dos manuscritos, bem como a publicação de seu conteúdo. No início, muito poucos deles foram publicados, pois eram poucos os especialistas trabalhando nesses documentos os quais, como hoje sabemos, são mais de 900".

O que o Departamento fez, informa a Dra. Shor, foi distribuir o material disponível entre 80 especialistas do mundo todo, de diversas religiões, dando-lhes uma década para publicar o material recebido.

Conservar o que foi preservado por dois mil anos


É bom que toda a matéria seja publicada, mas também é indispensável preservar os manuscritos para a posteridade.


Esta é a tarefa do Departamento de Antiguidades de Israel", afirma a Dra. Shor.

Para isso, especialistas como os chefes de conservação da Library of Congress e do Getty Conservation Institute viajaram a Israel a fim de ajudar a determinar os melhores processos a serem empregados.

"A primeira e principal tarefa é retirar os manuscritos dos vidros em que foram colados e retirar os restos de fita adesiva. Isto foi o que causou o dano maior. É preciso trabalhar placa por placa, manuscrito por manuscrito, fragmento por fragmento...".

Trata-se de um processo levado a cabo com muito cuidado, e que já dura 18 anos. Visando sua revisão e aperfeiçoamento, o Departamento de Antiguidades têm pedido a colaboração do Ministério da Cultura Italiano e do Istituto Centrale per la Patologia del Libro, entre outros.

"Nosso lema é: ‘se os Manuscritos foram preservados durante dois mil anos, é nosso dever conservá-los por, pelo menos, outros dois mil'" - enfatiza Pnina Shor. Pois, afinal, são "palavras que mudaram o mundo!".

Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 17-02-2010, Gaudium Press)

"Recebendo as cinzas sobre a cabeça, renovamos o nosso compromisso de seguir Jesus, de nos deixarmos transformar pelo seu mistério pascal e fazer e bem, para morrer para o nosso "homem velho" ligado ao pecado e fazer nascer o "homem novo" transformado pela graça de Deus". Assim iniciou o Santo Padre a síntese em português de sua audiência geral de hoje.


Hoje a Igreja Católica começa o tempo da Quaresma, período que prepara para a celebração da Páscoa, sua mais importante festa. À tarde o Papa irá à Basílica de Santa Sabina para celebrar a missa das Cinzas, que será precedida pela procissão penitencial da Igreja de Santo Anselmo no Aventino em Roma.

A catequese da tradicional audiência geral da quarta-feira, que coincide hoje com a Quarta-feira de Cinzas, foi dedicada ao tema da Quaresma e da conversão. O "caminho quaresmal" é um "itinerário espiritual" de 40 dias que prepara para a festa da Páscoa, que este ano será celebrada no dia 4 de abril.

O Papa, em suas reflexões, se concentrou nas duas fórmulas do momento da imposição das cinzas: "Convertei-vos e crede no Evangelho" e "Lembra-te que és pó, e ao pó hás de tornar". A primeira, segundo o pontífice, é o apelo à conversão que "revela e denuncia a fácil superficialidade que caracteriza muito frequentemente o nosso viver", e que "não é uma simples decisão moral", mas "uma escolha de fé".

"Converter-se siginifica mudar a direção no caminho da vida" - explica o Papa - "é ir contra a corrente, onde a corrente é o estilo de vida superficial, incoerente e ilusório, que muitas vezes nos arrasta, nos domina e nos torna escravos do mal ou mesmo prisioneiros da mediocridade moral".

Esta fórmula, "Convertei-vos e crede no Evangelho", diz que "todo dia é um momento favorável e de graça", apesar das dificuldades, da rotina, do cansaço da vida cotidiana. Mesmo quando "somos tentados a abandonar o caminho que segue Cristo e nos fecharmos em nós mesmos, no nosso egoísmo", afirma Bento XVI.

O Papa dedicou parte da catequese também à questão da mortalidade do homem, explicitada em "Lembra-te que és pó, e ao pó hás de tornar". De acordo com o Santo Padre, a palavra de Deus remete à fragilidade do homem, mas também à importância que este também para o Criador e à humanização do sacrifício divino.

"O homem é pó e ao pó retornará, mas é pó precioso aos olhos de Deus, porque Deus criou o homem destinando-o à imortalidade" e também porque "o Senhor Jesus livremente quis compartilhar com todos os homens o destino da fragilidade", com a sua morte e a sua ressurreição.

Durante as saudações dirigidas em 10 línguas, em português Bento XVI desejou: "Que este nosso encontro suscite em vós e em todos peregrinos presentes de língua portuguesa, com suas famílias e comunidades cristãs, uma renovada vitalidade espiritual na fiel e generosa adesão a Cristo e à Igreja. Olhai o futuro com esperança e não vos canseis de trabalhar na vinha do Senhor. Uma santa Quaresma para todos!"

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Vídeo de uma Missa Solene Pontifical, na forma extraordinária, na Festa do Preciosíssimo Sangue, em 2009

Celebrada no rito antigo por Sua Excelência Reverendíssima, D. Joseph N. Perry, Bispo Auxiliar de Chicago, auxiliado por Cônegos Regulares de São João Câncio, em 1º de julho de 2009, no Santuário do Santíssimo Sacramento, em Hanceville, Alabama, sede da EWTN e moradia da Madre Angélica e das Pobres Clarissas da Adoração Perpétua.
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Belíssimo Esposo

Atualidade e necessidade do conhecimento de Paulo hoje

Dom Nelson Westrupp
Bispo de Santo André

Num espaço tão limitado como este é impossível descrever e ponderar até aonde chega a atualidade de Paulo no mundo de hoje. As Cartas de Paulo fazem parte da literatura universal e estão entre os escritos mais lidos do mundo. A meu ver, suas Cartas são sempre atuais.
(...)

Em sã consciência, não se pode negar a atualidade e a necessidade de conhecer Paulo hoje, “chamado a ser apóstolo do Cristo Jesus, por vontade de Deus” (1 Cor 1, 1). Portanto, Paulo continua a ocupar um lugar de destaque na galeria do mundo contemporâneo e no coração da Igreja. Apesar de ter escrito suas Cartas numa época completamente diferente da nossa, a Obra de Paulo continua fascinando pessoas e comunidades. Causa especial sabor ler e meditar o que Paulo escreveu e pregou, deixando marcas profundas nos corações dos que quiseram e dos que procuram imitá-lo no seguimento e amor a Cristo. Tenho certeza de que Paulo seria bem-vindo aos areópagos de hoje. Sua voz ressoaria mais forte no coração dos ouvintes de nosso tempo do que nos ouvidos dos atenienses idólatras (cf. At 17, 22ss).

Confesso que não me canso de admirar a fidelidade e a autenticidade de Paulo, bem como sua coragem, destemor e ousadia na vivência de sua vocação, no ardor de sua pregação, na intensidade de sua paixão e no seu amor incondicional a Cristo. Creio que conseguiu passar para muitas pessoas de ontem e de hoje seu amor apaixonado por Cristo e pelo Evangelho, fazendo-se tudo para com todos (cf. 1 Cor 9, 22). O que sentia e fazia, não guardava para si. Antes, insistia em que o imitássemos no seu jeito de imitar e seguir Jesus Cristo. Confesso igualmente que a espiritualidade paulina alimentou fortemente minha caminhada vocacional. Sempre busquei em Paulo inspiração e motivação, sobretudo em tempos fortes, para bem exercer minha missão. Suas palavras e mensagens sempre tocaram e calaram fundo em minha vida, como por exemplo: “Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). Ou então: “É pela graça de Deus que sou o que sou” (1 Cor 15, 10). Ou ainda: “Tudo posso naquele que me dá força” (Fl 4, 13). Paulo deixou-se agarrar de tal modo por Cristo que nem a morte nem a vida, nada foi capaz de o separar de Deus, que está no Cristo Jesus, nosso Senhor (cf. Rm 8, 35-39).

Há muito ainda que buscar e descobrir na fonte quase inesgotável dos escritos paulinos. Para chegarmos à intensidade de fé e de amor alcançada por Paulo, um longo caminho será necessário percorrer…

Talvez o fruto mais saboroso do Ano Paulino comece a ser colhido e degustado após o seu encerramento. Aliás, Paulo é muito mais do que dele já foi escrito e do que dele ainda se escreverá.

A cada um de nós fica o desafio de vir a ser como Paulo foi, de imitarmos Paulo como ele imitou Cristo em sua experiência de transformação existencial, isto é, assemelhar-se sempre mais ao Coração de Cristo. Para sermos discípulos missionários não é suficiente gostar das “coisas” de Deus. É necessário seguir a Cristo, estar apaixonado por Ele, viver como Ele viveu, amar como Ele amou… Vale a pena perder tudo e considerar tudo como lixo, a fim de ganhar Cristo e ser encontrado unido a Ele (cf. Fl 3, 8-9). Experimente!