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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A loucura da paixão

O que Deus “chamou” você a fazer? Que fraquezas de caráter o atrapalham no cumprimento deste chamado?


Os altos e baixos das paixões românticas ameaçam fazer-nos soçobrar ao tentarmos navegar nos mares tempestuosos de nossa cultura obcecada pelo amor. Às vezes é fácil se sentir perdido e fora de controle entre as ondas emocionais e a fúria torrencial de nossos hormônios. O que torna tão difícil o permanecer puro? Será que nos ajustamos à tempestade ao nosso redor e aceitamos nossa sociedade louca por sexo como “normal”?

Estava a pensar nesse tema e me veio à cabeça um personagem bíblico do Antigo Testamento: Sansão.

A história de Sansão se desdobra das páginas da história bíblica como essência de poemas e peças. Mas, além de prover conteúdo para uma grande dramatização, sua experiência aparece como uma advertência para que guardemos tanto nosso coração, como nossa pureza física ao namorar, e para que escolhamos cuidadosamente a pessoa com quem vamos nos casar.

A história é encontrada em Juízes (13 a 16). Deus escolheu Sansão desde antes de seu nascimento (Juí 13,5). Contudo, o verso inicial do cap. 14 indicara que em vez de se posicionar como um libertador dos filisteus, Sansão propõe se entregar ao inimigo insistindo em casar-se com uma mulher filistéia (a Lei proibia o casamento com não-israelita). Os filisteus haviam dominado os israelitas por 40 anos; e para assegurar relações pacíficas com eles, os israelitas estavam perigosamente perto de imergir na cultura e filosofia filistéia.

Antes do casamento, Sansão é atacado por um leão. Esse encontro arma palco para a tragédia no primeiro caso de amor de Sansão. E, ironicamente, Sansão nunca satisfez seu desejo sexual por sua noiva. Acabou não se casando com ela.

Não bastasse a primeira experiência com um amor proibido, o que segue é ainda mais dramático. Primeiro se envolve com uma prostituta (Juí 16,1).

Depois enamorou-se de uma mulher na torrente e Sorec, Dalila. A união de Sansão e Dalila talvez seja o caso mais imprudente já registrado nas Escrituras. Embora ele se apaixonasse por ela, o interesse dela nele era principalmente pela recompensa financeira que teria quando o entregasse aos filisteus. Dalila mentiu três vezes. Na primeira ele já devia ter se afastado dela. Ele acabou revelando, por estar cego de amor, seu segredo a Dalila. Penso que está além da compreensão a razão pela qual Sansão esperava dormir NA PRESENÇA DE DALILA e ainda acordar com seus cabelos (que era seu segredo).

O “libertador” foi entregue nas mãos dos inimigos.



“A grama é sempre mais verde do outro lado da cerca” é um ditado que me vem à mente quando leio a história de Sansão. Ele conseguiu se meter numa porção de problemas por desejar o que parecia ser o “pasto mais verde” do outro lado da cerca.

Só posso achar, lendo a história completa, que Sansão não tinha intenção de dar a Deus o domínio sobre suas paixões. Assim é a tentação. É desejável, tem um gosto delicioso, parece excitante e se torna preciosa para nós. Tão preciosa que estamos dispostos a fazer transigências e mentir por causa dela, mesmo em risco de perder aqueles que nos amam e mesmo nossa própria vida.

A verdade é que nossa paixão é uma câmara do coração à qual muitas vezes não queremos que Deus tenha acesso. A noção de que nossos atos particulares ou escolhas pessoais não têm repercussões é uma mentira na qual caímos. As escolhas de Sansão resultaram num final ruim, cujas conseqüências forma sofridas por muitos.

Não posso deixar de pensar em quão diferente a vida dele teria sido se ele tivesse deixado Deus controlá-lo inteiramente.

Quantos cônjuges, famílias, filhos e comunidades sofrem rompimentos em resultado da condescendência sexual antiética de uma única pessoa.

Fico curiosa para saber o que teria acontecido se no momento em que Sansão foi tentado a agir com base na paixão, ele tivesse dito: “Senhor, não me deixe cair em tentação”?

Acho que nunca saberei a resposta a essa pergunta. Mas talvez possamos descobrir por nós mesmos na próxima vez que as “Dalilas” aparecerem na nossa vida e nos tentarem com a grama mais verde do outro lado da cerca.

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